Todo mundo deveria ter um lugar para contar suas experiências, e com isso expor suas ideias. O Diário de Bordo não é exatamente um diário pessoal, mas um espaço que será usado para abrir discussão sobre vários temas. Um espaço democrático, sem ofensas religiosas, políticas ou raciais que transbordará além do meu conhecimento, usaremos o seu também, é só comentar aqui. Um forte abraço e obrigado pela visita.
domingo, 27 de junho de 2010
Pai 100%
Depois que minha filha nasceu resolvemos parar de ter filhos. Agora já tinha um casal de filhos e muita sorte, como muita gente fala, por ter concebido um menino e uma menina. Pois bem, o próximo passo era saber qual dos dois se tornaria estéril com uma segura cirurgia. Eu venci por livre vontade. Diga-se de passagem, que homem algum gosta de médico, e muito mesmo de cirurgia, mesmo que seja a mais simples delas. Médico nunca. Busquei coragem não sei onde. Atualmente, cresce o número de homens que resolvem fazer a bendita vasectomia. Entrei na estatística. Momento de procurar onde fazer, nosso plano de saúde não aceitava, como sempre, esse tipo de cirurgia. Daí usei o bom jeitinho brasileiro. Hoje em dia é mais fácil, se você interessar, procure um posto de saúde mais próximo e peça maiores informações. Quero ajudar com mais informações, mas mudaria o foco o texto. Na primeira e única consulta, o médico começou a me bombardear com inúmeras perguntas. Creio que ele tentou me afastar da ideia de fazer a cirurgia, ou simplesmente testar minha decisão. Caberia a ele verificar um único suspiro de dúvida nas minhas respostas. Saíram questionamentos do tipo, o que fará se sua esposa morrer e você encontrar um novo amor, e mais jovem? Sem filhos, ela vai querer um filho seu. Respondi calmamente que se ela preferir mesmo ter um monte de filhos, eu deixo ela para outro fazer e criar os filhos. Depois, percebi que as perguntas seriam intermináveis. Resolvi finalizar a conversar com o seguinte comentário: doutor fulano, do nome dele não lembro agora (é coisa demais para uma pessoa só lembrar), eu sou pai 100%, daqueles que troca fralda, lava, passa, acorda no meio da noite quando o filho tosse, vai ao pediatra, leva para a escola, limpa fezes, vômito e xixi, conta histórias para dormir, cuida da esposa no pós-parto, entre outras coisas. Isso tudo dá muito trabalho e não quero mais para mim. E tem mais, filho não substitui outro filho, se um dos meus filhos morrer, outro não será substituto nunca. Portanto doutor fulano, precisa de mais alguma coisa? Ele respondeu: Vamos marcar sua cirurgia para que dia mesmo? Nada como usar da franqueza. Boa parte dos homens, e boa parte, por culpa das mulheres, elas também os educa assim, são muito machistas. Mesmo em pleno século 21, ainda encontramos atitudes bem diferente entre homens e mulheres. Claro que os homens adoram quando a esposa fala que não gosta quando eles lavam os pratos e nem roupas. Acho que elas nasceram sabendo. É mais fácil virar e falar, amore o bebê está chorando, ou nem isso. Vai logo, preciso dormir. Entretanto, vamos deixar esse assunto para outro dia. Para meus amigos, verifique sua percentagem como pai, eu já sei a minha - 100%. Um abraço em todos.
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